A GTF, proprietária da marca Canção Alimentos, indicou durante o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs) que pretende reforçar a presença no comércio exterior e ampliar o volume de produtos de maior valor agregado embarcados a partir de 2027. A meta divulgada pela companhia é elevar de 35% para 40% a fatia das vendas externas no faturamento já no próximo ano, sem reduzir a oferta ao mercado interno.

Segundo dados informados pela empresa, hoje aproximadamente 65% da produção segue para o consumo doméstico, enquanto 35% é destinada a clientes internacionais. O plano contempla o envio de cortes desossados e itens processados que geram margens superiores à da carne in natura, bem como o fortalecimento do relacionamento com importadores mediante contratos de fornecimento de longo prazo.

"Nossa ideia é continuar atendendo os mercados onde já estamos consolidados e incrementar o mix de produtos. Estamos trabalhando cada vez mais com cortes desossados, que agregam valor e atendem à demanda de diferentes mercados”, disse o CEO, Rafael Tortola, em conversa com jornalistas durante o evento."

Os cortes de coxa e sobrecoxa desossados, historicamente vendidos a Japão e Coreia do Sul, vêm encontrando espaço também em outros destinos, fato que, de acordo com a companhia, contribui para diversificar o portfólio e reduzir a exposição a oscilações regionais de preço. A empresa avalia que esse movimento torna o planejamento industrial mais previsível ao mesmo tempo em que fortalece a marca nos pontos de venda.

"O que buscamos é fidelizar clientes. Mantemos um fornecimento constante ao longo do ano, independentemente das oscilações de preço entre os mercados. Esse trabalho fortalece a marca e permite capturar maior valor pelos produtos", afirmou Tortola.

No mercado doméstico, a GTF também mantém o foco em itens com maior conveniência, ampliando a linha de produtos congelados individualmente (IQF) e de empanados próprios para preparo em air fryer. O executivo explicou que a mudança acompanha a rotina de famílias que demandam soluções rápidas, porém sem abrir mão da qualidade percebida.

Embora as perspectivas para as vendas externas de carne de frango do Brasil permaneçam positivas, a companhia avalia que 2026 vem sendo um ano de margens mais apertadas. O aumento do custo logístico, motivado principalmente por conflitos no Oriente Médio que encarecem rotas pelo Estreito de Hormuz, somou-se à alta do diesel e das embalagens.

"O Brasil deve registrar recorde de produção e de exportação, mas as margens ficaram mais apertadas", relatou o CEO.

Em alguns embarques para os Emirados Árabes Unidos, principal destino da empresa em 2025, o frete marítimo subiu perto de US$ 400 por tonelada. Parte desse valor foi repassada, mas não o suficiente para neutralizar o impacto integral nos custos.

Diante desse cenário, a GTF projeta um ritmo mais seletivo de investimentos nos próximos anos. A companhia mantém a produção atual, porém indica que os juros elevados e o custo maior do capital de giro tornam menos atrativos novos projetos de expansão física de plantas.

"Não vejo redução da produção, mas uma diminuição dos novos investimentos. As empresas devem manter a capacidade atual e continuar buscando novos mercados, porém com mais cautela", concluiu Tortola.

No horizonte de longo prazo, a empresa aposta que a competitividade da proteína de frango do Brasil e a demanda global continuarão sustentando o crescimento do setor, mas com ênfase crescente em eficiência industrial e diferenciação de portfólio.

Fonte: https://republicadaverdade.com.br/gtf-amplia-vendas-externas-para-40-da-receita-e-mantem-oferta-no-brasil/