Segundo Kendi Okumura, gerente de Exportação da GTF, o Brasil detém cerca de 40% do market share global. No entanto, a competitividade é uma disputa diária, uma vez que outros exportadores também evoluem em eficiência, acordos comerciais e logística. Nesse cenário, o diferencial está cada vez mais pautado na qualidade, conformidade, consistência e no mix de valor.

A GTF, localizada em Maringá (PR), está apta a exportar aves para mais de 100 países, entre eles África do Sul, México, China, nações da Europa, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos.

Sobre o desempenho das exportações da empresa no ano passado, Okumura afirma:
“Na GTF, avaliamos 2025 como um ano de boa execução comercial e disciplina operacional. Houve movimentos de mix e foco em mercados e canais com maior valor agregado, além de ajustes rápidos diante de variações regulatórias, sanitárias e logísticas, o que ajudou a sustentar a competitividade. Mesmo diante das adversidades, conseguimos crescer em volume e valor agregado.”

Procedimentos e desafios
Para que o produto chegue a outros países, é necessária a devida habilitação. Segundo Okumura:
“A manutenção dessas habilitações envolve auditorias, requisitos sanitários, rastreabilidade, bem-estar animal, documentação e atualizações regulatórias que variam de acordo com cada país e, muitas vezes, exigem investimentos e rotinas de compliance robustas.”

Entre os principais desafios para a exportação, destacam-se:

  • Cadeia do frio, essencial para garantir a integridade do produto desde o carregamento até o destino;
  • Disponibilidade e custo de contêineres refrigerados (reefers), além do reposicionamento;
  • Janelas de navios, transit time e confiabilidade das rotas, que impactam o planejamento e a gestão de estoques;
  • Burocracia documental e sincronização de inspeções e certificados;
  • Gestão de riscos, incluindo atrasos, mudanças de porto, congestionamentos e variações no frete.

Outro fator relevante é o chamado Custo Brasil, que envolve frete interno, acesso a portos e desafios logísticos. A combinação de longas distâncias, infraestrutura desigual, altos custos de transporte e a variabilidade do sistema portuário e marítimo exige planejamento estratégico, redundâncias operacionais e parcerias sólidas com armadores e operadores logísticos.

Preferências culturais
Cada região do mundo possui particularidades e demanda cortes específicos. Entre os principais, destacam-se:

  • Ásia: asa inteira, meio da asa, coxa e sobrecoxa, cartilagens e pés de frango;
  • África: coxa e sobrecoxa, MDM (carne mecanicamente separada), peito e pés;
  • Oriente Médio: coxas, sobrecoxas, moelas, fígados e peito;
  • Europa: peito;
  • Américas: coxas e sobrecoxas, asa inteira, coxinha da asa, peito e pés.

Na exportação de aves, há forte demanda tanto por produtos in natura quanto processados. No entanto, os itens in natura ainda representam a maior parte do volume global, impulsionados pelo preço e pelos hábitos de consumo.

Os produtos processados, por sua vez, ganham espaço em mercados que buscam conveniência, padronização e soluções para o food service, além de proporcionarem margens mais atrativas quando a empresa consegue capturar valor por meio da qualidade e do serviço, incluindo especificação, inovação e regularidade.